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POLIGAMIA

 

 

 

1.     DEFINIÇÕES

 

Definimos como Poligamia ou “Acasalamento Poligâmico” ao sistema de acasalamento em que um único macho de Curió fecundará várias fêmeas em uma mesma temporada de cria ou vários machos fecundarão várias fêmeas nas mesmas condições.

 Acasalamento Poligâmico Dirigido – Dizemos que o acasalamento é poligâmico dirigido quando utilizamos um único macho para fecundar um grupo selecionado de fêmeas dotadas das mesmas características (Caracteres genéticos desejáveis).

Acasalamento Poligâmico Dirigido Misto – Dizemos que o acasalamento é poligâmico dirigido misto quando lançamos mão de mais de um macho em uma mesma temporada de cria para fecundar um grupo selecionado de fêmeas dotadas das mesmas características, (Caracteres genéticos desejáveis).

 

 

2.      PRINCÍPIOS E HEREDITARIEDADE

 

No primeiro caso o acasalamento Poligâmico Dirigido é praticado com a finalidade de fixar os caracteres desejáveis de um grupo de Curiós (várias matrizes e um único padreador) previamente selecionados, segundo critérios específicos de seleção genética. Esses acasalamentos baseiam-se no princípio da “HEREDITARIEDADE” que consiste no fenômeno da continuidade biológica pela qual as formas vivas se repetem nas gerações que se sucedem. Procuramos o aperfeiçoamento do plantel em questão através da repetição dos caracteres desejáveis nas gerações seguintes. Já no segundo caso “Poligamia Dirigida Mista” vários machos são utilizados simultaneamente com várias matrizes numa mesma estação de cria buscando identificar aqueles acasalamentos que melhor propiciam a Hereditariedade e após a identificação dos bons caracteres transmitido pelos pais à prole retornamos ao sistema poligâmico dirigido, porém, com o conhecimento  hereditário de ascendência e descendência em especial os conhecimentos ascendentes portados pelos pais que são os transmissores das características desejáveis encontradas nos filhotes. Este trabalho é indispensável para formação de um bom plantel, pela rapidez que propicia a identificação dos seus indivíduos (várias matrizes simultaneamente) quanto a sua capacidade de transmissão e identificação  dos seus caracteres quando acasalado com determinada matriz objetivando a formação de um plantel  de Curiós dirigido para canto, repetição ou fibra.

 

 

3.      PRÁTICA DA POLIGAMIA

 

A implantação da poligamia exige conhecimentos técnicos e específicos a respeito do manejo do Curió, ou pássaro a ser criado, bem como materiais e instalações adequadas que facilitem a sua prática. Recomendamos a utilização do esquema para o treinamento do padreador e reproduzimos no criadouro a mesma situação utilizada no treinamento, para tal, devemos possuir uma prateleira conforme esquema anexo destinada exclusivamente a esta finalidade atendendo aos seguintes requisitos:

 

POLIGAMIA

 

ESQUEMA PARA O TREINAMENTO DO PADREADOR

ESQUEMA – 01     PADREADOR        ESQUEMA- 02

Gaiola Criadeira

Fêmea

(35x58x28.5)cm

 

Gaiola do Macho

 (35x31x28,5) cm

                                                             

 

Gaiola Criadeira

Fêmea

(35x58x28.5) cm

 

 

                                                       FLUXOGRAMA
    Max. de 59cm p/criadeira de 58cm          Max de 32,0 cm          Max. de 59cm   p/criadeira de 58cm

  

Divisórias Removíveis         Prateleira a 1.40m do       Divisórias RemovíveiEucatex / Fórmica    

  chão com

35,0cm de largura

 

OBSERVAÇÕES:

 

1.    Os poleiros sobre a primeira travessa da gaiola devem ficar dispostos conforme os esquemas e a 1,55m do chão.

2.    Os poleiros sobre a segunda travessa da gaiola do Padreador e  do Esquema-2 devem ficar dispostos a 1,64m do chão.

As medidas aqui recomendadas alem de atenderem aos aspectos Ergonômicos são as mais eficientes no Manejo

3.1- Prateleira

 

A prateleira para a prática da poligamia deve situar-se a uma altura de 1.40m do chão, para proporcionar aos poleiros (em número de dois) fixados sobre a primeira travessa da gaiola criadeira uma altura em torno de 1.55m. Tal procedimento dará funcionalidade, praticidade e objetividade ao manejo durante a cópula, evitando que o criador assuma posturas inadequadas e incômodas abaixando-se para atingir prateleiras muito próximas ao chão ou subindo em bancos ou escadas para elevar-se, produzindo esforços desnecessárias e inconvenientes a atividade em execução tornando o ato demorado dada as dificuldades de aceso e visualização da fêmea, muitas vezes até perdendo-se o momento da solicitação de cópula por morosidade no manejo. (voltaremos a tratar deste assunto no item manejo)

 

3.2- Gaiola Criadeira

 

As gaiolas criadeiras deverão ser construídas em arame, nas medidas de 35cm de altura, 58cm de comprimento e 30cm de profundidade, podendo variar um pouco conforme o fabricante e, deverão ficar dispostas na prateleira observando-se o afastamento máximo de 33cm entre elas, para que se faça o encaixe da gaiola do macho entre as duas gaiolas de criação produzindo entre as gaiolas uma folga máxima de 1cm de cada lado.

Utilizamos para facilitar a passagem do padreador no momento da cópula, placa de PVC, papelão, eucatex, madeira compensada etc. removível como elemento de separação entre as gaiolas do padreador e a fêmea que estarão com os passadores previamente abertos.

 

3.3-Gaiola do Macho Padreador

 

As gaiolas dos Padreadores deverão ser construídas em arame, nas medidas de 35cm de altura, 31cm de comprimento e 28.5cm de profundidade, podendo variar um pouco conforme o fabricante, devendo ainda possuir teto plano e tipologia quadrada.

A gaiola do Padreador será no momento da cópula encaixada no vão de 33cm deixado entre as gaiolas criadeiras para este fim, produzindo uma afastamento lateral máximo de 1cm de cada lado já que a gaiola do padreador possui 31cm de comprimento. A observância destas medidas é de fundamental importância para a automação no processo de manejo conforme veremos adiante.

 

3.4-Poleiros

 

Conforme veremos a seguir, no item manejo, as gaiolas de criação receberão dois tipos distintos de empoleiramento.

 

ESQUEMA – 01

 

Usamos apenas um único poleiro sobre a primeira travessa da gaiola sendo que o poleiro “G” ficará encaixado na 6ª vareta contada da esquerda para a direita, propiciando uma disposição compatível com o fim a que se destina.

 

ESQUEMA – 02

 

Usamos quatro poleiros, sendo dois (B e D) sobre a primeira travessa  da gaiola e dois (C e A) sobre a segunda travessa. No caso dos poleiros “B e D” o encaixe será efetuado na 13ª vareta contada da esquerda para a direita e da direita para a esquerda, nos poleiros “C e A”.  Temos que observar a presença do ninho que pode estar a direita ou a esquerda da gaiola ficando o poleiro “C” na 6ª vareta contada da esquerda para a direita e o poleiro “A” na 9ª vareta da direita para a esquerda possibilitando o encaixe do ninho um pouco acima da 2ª travessa no canto direito. Recomendo o uso de uma palheta de madeira com 12cm de comprimento fixada no meio do espaço compreendido entre a 2ª travessa e o teto, possibilitando a fixação do ninho um pouco acima do poleiro “A”. Podemos ainda dividir a porta superior direita da gaiola ao meio com a palheta possibilitando a fixação do ninho à porta, que oferece a vantagem de remoção do ninho para fora da gaiola já que se encontra fixado na face interna da folha da porta, toda vez que a abrimos facilitando sobremaneira as inspeções.  

A gaiola do padreador receberá três poleiros (E, A e D)  sendo “E” poleiro da esquerda “D” poleiro da direita e “C” poleiro Central. Os poleiros “E e D” ficarão encaixados na 3ª vareta da segunda travessa, fronteiriço aos respectivos passadores (da direita e da esquerda), o poleiro “C” ficará sobre a primeira travessa na 12ª vareta central entre o bebedouro e o comedouro.

Todo o empoleiramento aqui descrito detalhadamente, embora enfadonho, tem sentido e função primordial durante o ato de fertilização das matrizes que veremos no item manejo, propiciando altos índices de copulação.

 

1.      ESQUEMA PARA TREINAMENTO DO PADREADOR

 

4.1-Introdução

 

Durante os primeiros anos de criação cometemos diversos erros que diminuem à medida que aprendemos com eles, vamos nos aperfeiçoando ao longo do tempo, encontramos a melhor maneira de fazer alguma coisa após fazermos de forma errada ou inadequada esta coisa por várias vezes. O objetivo do ensino desta técnica é evitar que os criadores iniciantes cometam os mesmos erros cometidos pelos criadores pioneiros e se  desestimulem. Sabemos que os Curiós são aves de “COSTUME”, que uma vez estabelecido, os utilizarão para sempre. Baseado neste fato, devemos acostumar os padreadores com as gaiolas e utensílios (poleiros e suas posições) empregados durante a pratica  da CÓPULA para que na hora não enfrentem situações novas que não saberão como resolve-las e com tal falta de habilidade perca-se “O Momento da Fêmea” (momento em que a fêmea encontra-se em posição de solicitação de cópula) que dura cerca de trinta segundos no máximo, podendo se repetir ou não logo em seguida.

A prática da Cópula objetiva e eficiente, depende diretamente do conhecimento adquirido pelo padreador em relação a sua prática e seus utensílios evitando investidas  contra a gaiola sem encontrar o passador  ou mesmo a exploração da gaiola da fêmea por parte do curió pinoteando de um lado para o outro buscando conhece-la exatamente no momento da cópula, botando tudo a perder. As inabilidades são muitas e, alguns Curiós chegam a ter medo de fêmeas pelas agressões sofridas durante tentativas mal sucedidas de cópula inutilizando-se para a reprodução.

 

4.2-Treinamento do Padreador

 

Devemos possuir em nosso criadouro, se possível, fora do recinto das matrizes, prateleira idêntica à demonstrada no desenho  “Módulo de Manejo” com a finalidade de efetuar o treinamento dos Padreadores que deverão acostumar-se com as gaiolas e posicionamento dos poleiros e utensílios, devendo transitar com desenvoltura a partir da Gaiola do Macho para as Gaiolas Criadeiras denominadas de Esquema-1 e Esquema-2 mediante a simples remoção das divisórias, familiarizando-se com o sistema que será o mesmo a ser utilizado no interior do criadouro quando da fertilização das fêmeas. Tal treinamento dará ao Padreador total conhecimento dos espaços a serem utilizados durante a cópula, evitando desta forma situações desconhecidas para ele. O treinamento deverá ser efetuado a principio sem a presença da fêmea, para dota-lo do conhecimento total da gaiola criadeira, a localização dos passadores para a entrada e saída da gaiola criadeira  proporcionando rapidez objetividade e segurança ao padreador antes durante e depois da cópula. Todo o esquema deverá ser assimilado e familiarizado pelo Padreador. Após obter os conhecimentos necessários, efetuamos o treinamento dos dois esquemas demonstrados no Módulo de Manejo com a presença de uma fêmea presa pela grade divisória na metade esquerda ou direita das gaiolas criadeiras. Quando da remoção da divisória (eucatex/fórmica) o padreador deve imediatamente passar para a gaiola criadeira e logo em seguida retornar a sua gaiola, aí o treinamento estará concluído.

 

2.      MANEJO PARA POLIGAMIA

 

5.1-INTRODUÇÃO

 

TEMOS DOIS CASOS A CONSIDERAR QUANTO AO CANTO DO PADREADOR

 

Primeiro Caso - O canto do Padreador é idêntico ao canto do Cortejador

Segundo Caso - O canto do Padreador é diferente do canto do Cortejador

 

Definição do Cortejador

 

Definimos como cortejador o Curió que fará a corte às matrizes aprontando-as para a cópula. Esta corte poderá ser efetuada pelo próprio padreador vulgarmente conhecido como “galador” mas, via de regra, o Padreador é um Curió de “Alto Nível Canoro” que não se prestará a este papel por questões de pureza e qualidade de seu canto, só entrando em cena apenas no momento da Cópula, sendo retirado em seguida para longe das fêmeas em benefício da sua veia canora preservando-se a sua virtuose. Longe das fêmeas, evitamos que o Padreador adquira o hábito de cantar com elementos sonoros de cortejamento (serradas, rasgadas, carretilhas, gritos de guerra etc.) indesejáveis e inadmissíveis a um campeão de canto e, próprio aos galadores. É muito comum a utilização do “Cortejador Eletrônico” mediante a utilização de fitas K-7, CD-R(s) e Pássaro Eletrônico, que desempenham o mesmo papel e propiciam os mesmos efeitos do Cortejador ao Vivo.

 

5.2- Primeiro Caso

 

O canto do Padreador é idêntico ao canto do Cortejador, neste caso não existe a preocupação por parte do criador de que o Padreador venha a “ESTOURAR” (abrir o canto com elementos de cortejamento) comportamento este exigido por algumas matrizes como condição indispensável à consumação da Cópula, não ocorrendo por parte da matriz à rejeição do Padreador por identifica-lo pelo seu cortejamento.

 

5.3- Manejo no Primeiro Caso

 

Após o treinamento do Padreador no Módulo de Manejo, julgamos apto a efetuar a cópula de determinada matriz que  a solicita, e para tanto, introduzimos a gaiola do padreador entre as duas gaiolas demonstradas no Módulo de manejo com as divisórias nas suas respectivas posições, e abrimos os passadores de ambas as gaiolas. Tal movimentação levará a matriz na maioria das vezes a solicitar a cópula, aí removemos sem demora a divisória do Esquema – 2. O Padreador ao depara-se com a matriz em posição de solicitação de cópula rapidamente passará do poleiro “D” (trajetória em vermelho no esquema demonstrativo) em frente ao passador para o poleiro “C” (poleiro de base) na segunda travessa da gaiola criadeira e neste momento poderá “ESTOURAR”. A única alternativa é que a matriz esteja no poleiro “D” na primeira travessa, poleiro mais baixo (os poleiros em azul “A E B” só estarão disponível se o Padreador estiver vindo pela direita) e o Padreador no poleiro mais alto de onde alçará um vôo efetuando as manobras necessárias consumando a monta e conseqüentemente a Cópula voando em seguida diretamente para o poleiro “C” (poleiro de base) retornando sem demora para a sua gaiola. Neste momento introduzimos a divisória, fechamos os passadores e retiramos o Padreador do interior do criadouro.

 

5.4- Comentários

 

Verifique que foram dadas duas opções de trajetória do Padreador no Esquema-02 sendo  desenhadas em cores distintas em função do lado em que se encontra a gaiola do Padreador. A colocação de apenas dois poleiros na gaiola criadeira (poleiros “C e D” em vermelho) e estando o Padreador no poleiro mais alto (poleiro de base) e a Matriz no mais baixo proporcionará uma cópula perfeita. O Esquema – 02 deve ser usado quando a Matriz exige que o Padreador ESTOURE para poder aceita-lo, nestas condições damos a ele o poleiro “C” (poleiro de base)  para que faça um pouso preparatório a tal finalidade e logo em seguida consume o “ato” evitando sua dispersão dentro da Gaiola Criadeira, levando-o a perder o “Momento da Fêmea”. Observe que estando a matriz no poleiro “D” mais baixo propicia bastante espaço para que o Padreador efetue uma monta precisa retornando imediatamente a sua gaiola. Não devemos esquecer que as matrizes raramente compartilham o espaço ou mesmo  o poleiro com os  padreadores, e quando isto acontece geralmente o Padreador é enxotado a bicadas. Dentro da gaiola criadeira o Padreador e a matriz colocam-se sempre em posições opostas por isto, dispomos poleiros opostos e reduzimos as opções de pouso para força-lo a retornar a sua gaiola. Os padreadores bem treinados após a Cópula retornam imediatamente a sua gaiola.

 

5.5- Segundo Caso

 

O canto do Padreador é diferente do canto do Cortejador, neste caso o Padreador não pode “ESTOURAR” (abrir o canto com elementos de cortejamento) sobre pena de vir a ser identificado pela matriz e comprometer toda a Cópula com a sua rejeição pois a matriz esta submetida à corte do cortejador que possui cortejamento diferente do padreador. Temos verificado que a identificação é feita pela matriz mediante a audição dos elementos sonoros da corte. Neste caso o padreador não dispõe do poleiro “C” (poleiro de base) pois não deve “Estourar”

 

5.6- Manejo no Segundo Caso

 

Após o treinamento do Padreador no Módulo de Manejo, julgamos apto a efetuar a cópula de determinada matriz que  a solicita, para tanto introduzimos a gaiola do padreador entre as duas gaiolas demonstradas no Módulo de manejo com as divisórias nas suas respectivas posições, e abrimos os passadores de ambas as gaiolas, tal movimentação levará a matriz na maioria das vezes a solicitar a cópula, aí removemos sem demora a divisória do Esquema – 1. O Padreador ao depara-se com a matriz em posição de solicitação de cópula rapidamente passará do poleiro “E” da sua gaiola  (trajetória em vermelho no esquema demonstrativo) em frente ao passador para o poleiro “G” na primeira travessa da gaiola criadeira a onde encontra-se a matriz, em solicitação de cópula  passando pelo passador em um único vôo efetuando as manobras necessárias consumando a monta e conseqüentemente a Cópula voando em seguida diretamente para o poleiro “E” no interior de sua gaiola retornando sem demora, neste momento introduzimos a divisória, fechamos os passadores e retiramos o Padreador do interior do criadouro.

 

5.7- Comentários

 

Observe que no segundo caso evitamos ao máximo que o padreador perca o seu objetivo que é a cópula, sua dispersão dentro da Gaiola Criadeira, levará á perca  do “Momento da Fêmea”. Observe que estando a matriz no poleiro “G” mais baixo propicia bastante espaço para que o padreador efetue uma monta precisa, retornando imediatamente a sua gaiola. Observe que no Esquema-01 reduzimos as opções de poso para força-lo a retornar a sua gaiola o mais rápido possível. Os padreadores bem treinados após a Cópula retornam imediatamente a sua gaiola, em especial neste caso. A pratica da mestiçagem do Curió (Oryzoborus angolensis) X (Sporophila leucoptera) ou (Oryzoborus angolensis) X (Sporophila bouvreuil) só é conseguida mediante o conhecimento do Esquema-1 no qual mostramos à matriz oryzoborus  um Curió e, após colocar-se em postura de solicitação de cópula soltamos pelo outro lado um bouvreuil para fazer a monta sem que a matriz oryzoborus perceba a diferença, caso contrário teremos que alterar o Imprinting da matriz oryzoborus para que aceite um padreador bouvreuil.

 

3.      A CÓPULA

 

O ato da copulação nos Curiós é instintivo, portanto dispensa ensinamentos, no entanto, este ato deve ser objetivo e eficiente garantindo ao criador altos índices de fertilização, até mesmo nas matrizes mais agressivas. O treinamento dos padreadores constitui-se matéria indispensável ao bom e seguro desempenho dos mesmos, eliminando grande número de problemas que poderão ocorrer, sem que se perca o “Momento da Fêmea” que nem sempre aceitará repeti-lo com o padreador explorando a sua gaiola. Devemos remover da gaiola criadeira antes da soltura do padreador todo e qualquer utensílio que possa desperta o interesse do mesmo tais como: Portas Vitaminas, Osso de Siba, verduras, Casca de ovo etc. tal precaução evitará a dispersão do padreador e possíveis agressões da matriz assegurando a sua integridade física.

Podemos destacar algumas situações mais comuns e como resolve-las, evitando problemas de incompatibilidade que poderão ocorrer durante a tentativa de copulação tais como:

 

1.      Ao removermos a divisória, o padreador entra na gaiola criadeira e não faz a monta. A matriz após cerca de trinta segundos em posição de cópula perde o momento e entra em tremulação da plumagem, devemos introduzir a grade divisória de arame separando o padreador da matriz fazendo-o voltar a sua gaiola pois, logo após a tremulação da plumagem a matriz normalmente parte para o ataque ao padreador. Tentaremos nova cópula após duas horas.

 

2.      Ao removermos a divisória, o padreador entra na gaiola criadeira, “Estoura” e não faz a monta. A matriz pode estar na posição de cópula e perder o momento ou simplesmente percebe com o Estouro que o Padreador não é o mesmo Curió que fez a Corte “Cortejador” ou fica desconfiada. O Padreador poderá assumir uma postura de “Filhote” tremulando as asas e chamando como tal (emitindo um tipo de som idêntico aos emitidos pelos filhotes quando pedem comida a mãe), entrando no ninho e “Chamando Filhote” busca estimula-la à cópula. Este assédio nem sempre da bons resultados, devemos introduzir a grade divisória de arame separando o padreador da matriz fazendo-o voltar a sua gaiola pois, o ataque ao padreador pode acontecer a qualquer momento. Tentaremos nova cópula após duas horas.

 

3.      Ao removermos a divisória, o padreador não entra na gaiola criadeira, poderá ou não “Estourar” mas o fará de sua gaiola, não passa para a gaiola Criadeira e deixa a matriz perder o momento. Esta inicia a tremulação de plumagem, e poderá repetir a postura de solicitação de cópula por mais algumas vezes e, mesmo assim, o padreador fica impassível. Não devemos em nenhuma hipótese insistir, nem forçar a sua passagem para a gaiola criadeira, pois o padreador bem mais do que nós sabe o que estar fazendo. Devemos introduzir a divisória e tentar outra cópula após duas horas, caso contrário a matriz passara para a gaiola do macho e o expulsará para a gaiola dela criando uma situação propícia a um ataque ao padreador quando do seu retorno, proporcionando muita perda de tempo.

 

4.      Ao removermos a divisória, o padreador entra na gaiola criadeira faz a monta sem problema mas fica na gaiola enquanto a matriz entra em tremulação da plumagem, logo em seguida efetua outra monta e todo o processo se repete e ele recusa-se a retornar. Em nenhuma hipótese devemos permitir a repetição da cópula no mesmo momento por ser desnecessário e, para não quebrar a rotina do padreador que poderá adquirir este mau hábito. Introduzimos a grade de arame e forçamos sem demora o seu retorno a sua gaiola. Podemos repetir a cópula após dez horas, ou no dia seguinte bem cedo.

 

 

Podemos utilizar um único padreador para até 10 (dez) fêmeas desde que este goze de boa saúde e esteja submetido a regime alimentar equilibrado quanto aos nutrientes fundamentais. Temos por muitos anos praticado com sucesso a Poligamia efetuando os cruzamentos basicamente com dois Padreadores fixos e vez por outra com padreador visitante sendo que, temos submetido em certas circunstâncias os padreadores fixos a um regime de monta diária sendo que o padreador que fizer a monta de determinada matriz pela manhã  repetirá à tardinha e, todo o processo se repete no dia seguinte com o mesmo padreador e outra matriz, havendo fecundação de ambas as matrizes sem problema. Temos no caso de padreador jovem (dois a seis anos) praticado a poligamia diariamente durante três dias seguidos com matrizes diferentes com total sucesso quanto à fecundação. A melhor forma que encontrei é a de revezamento do padreador de dois em dois dias oferecendo desta forma melhores resultados.             

Autor  Dr.Gilson Ferreira Barbosa

Cadastro IBAMA – 0006 (Recadastramento 2001)

Presidente da Sociedade dos Criadores de Pássaros de Ilhéus

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