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DPA - Distúrbios de Plumagem nas Aves
 Data da noticia :03/01/2003
 Colunista : Dr. Gilson Ferreira Barbosa
  
O "DPA" - Distúrbio de Plumagem nas Aves indica desequilíbrio físico e psíquico da sua saúde e do seu comportamento, refletido na plumagem.
Acreditamos que não existe doença sem o seu agente causador, logo a plumagem funciona como elemento indicador de que algo está errado com a ave, e precisamos identificar o agente causador através de diagnóstico rápido e preciso, o que nem sempre é possível de ser feito.
No caso específico da AD. Auto Depenação, temos investigado aspectos inadequados de alimentação e manejo bem como a presença de Stress, entretanto a maioria dos casos não se resolveu devido a não identificação do agente causador e a inexistência de medicamentos específicos ao caso, culminando com a morte das aves por terem sido submetidas a tratamentos agressivos e experimentais.
Não gostaria de dizer "NÃO TEM JEITO”, todavia, relacionarei alguns aspectos tratados por nós com relativo sucesso em nossa criação mediante monitorização de Médico Veterinário especializado:
1. O curió se auto depena por ter desenvolvido hiper sensibilidade ao calor, colocado em ambiente com temperaturas entre 20ºC e 26ºC graus o problema gradativamente tende a se resolver. O agente causador: Temperatura elevada no criadouro, evitar telhas de fibrocimento no verão.
2. Colocação inadequada das caixas de tenébrio sobre as prateleiras da criação, o DPA. Instala-se na maioria das aves, sendo que algumas preservam a cauda e azas, e a cabeça por motivos de acessibilidade. O Agente causador são fungos, ácaros e leveduras provenientes do Substrato das caixas, foram feitas comprovações laboratoriais nestes casos. Tratamento, 04 a 06 gotas de vinagre na água do banho durante 15 dias e mais nada. Claro! Remoção das caixas e assepsia das prateleiras e gaiolas, Sol nelas.
3. O curió possui "FOGO CRÔNICO” o DPA instala-se na região do peito, ventre, dorso e pernas, e intensifica à medida que a ave escuta o canto de outra ave, provocando uma fogosidade com cantar incessante caracterizando um estado de "Distúrbio Neurológico”, neste caso o Curió não deve ser utilizado como Padreador pois temos verificado a manifestação após algum tempo do DPA em toda a sua prole, inclusive fêmeas aonde a característica Fogo Crônico também está presente. Enumeramos os seguintes procedimentos:
1. A ave em questão deve ser vermifugada da seguinte forma: Retira-se o bebedouro deixando-a sedenta por 04 horas consecutivas para em seguida oferece-la em um bebedouro 15ml de água e a quarta Parte de um comprimido de CANEX COMPOSTO (princípio ativo Pamoato de Pirantel) dissolvido para que a ave beba a vontade, em seguida retira-se o bebedouro com o vermífugo e retorna-se com água pura. A ave expelirá todos os vermes (Cestódeos) dentro de no máximo 20 a 30 minutos é impressionante o DPA simplesmente desaparece. Repete-se o tratamento com 30 dias. Se o problema for verminose (Caso mais freqüente) o Curió estará emplumado em 60 dias.
2. Caso não haja infestação por Cestódeos, ministrar por 30 dias consecutivos a quarta Parte, 0.5mg de um comprimido de Polaramine laboratório Schering-Plough uso humano de 2 mg em 25ml de água (principio ativo Meleato de Dexclorfeniramina). Se o problema for alérgico o Curió estará emplumado em 60 dias.
3. Caso o problema não tenha sido resolvido com os procedimentos anteriores e haja fortes suspeitas de distúrbios neurocomportamentais, com presença de ferimentos nas áreas depenadas, ministrar por 30 dias consecutivos a quarta parte de um comprimido de OCLADIL laboratório Sandoz uso humano de 01 mg. Em 25ml de água (princípio ativo Cloxazolam) se o problema for neurológico o Curió estará emplumado em 60 dias.
OBS: Os procedimentos preconizados nos itens de n°(s) 01-02 e 03 envolvem o uso de "DROGAS” portanto devem ser usados com parcimônia mediante prescrição e acompanhamento diário de um Médico Veterinário Especializado em pássaros.
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O arrancamento de penas é um problema relativamente comum em aves de cativeiro. Pode ser decorrente de causa física, psíquica ou metabólica. Como causa física teríamos a possibilidade de parasitas de pena (alguns ácaros são pequenos e ficam no canhão da pena, precisando de exame microscópico para serem visualizados), endoparasitas (tais como Giardia, que é um protozoário. Um veterinário local pode diagnosticar por exame de fezes e tratar preventivamente), alergia por produtos diversos, tais como fumaça de cigarro, mofo de casa, alimento, etc; doenças sistêmicas, tais como doença hepática. A deficiência nutricional é também uma possível causa da síndrome de arrancamento de pena. Portanto, fornecer dieta balanceada.

Como causas metabólicas teríamos o hipotireoidismo. Como fatores psicológicos podemos citar o tédio, medo, falta de segurança, rotina, ansiedade, estresse e outros fatores que desencadeiam esse processo de auto-mutilação. O diagnóstico é difícil, sendo necessário ir eliminando as possibilidades: ecto e endoparasitas: fazer exame laboratorial simples, tais como exame microscópico de penas e exame de fezes. Desverminar e tratar contra Giardia. Alergia: eliminar fatores desencadeadores, tais como fumaça de cigarro, manter a ave em ambiente arejado, etc.

Um veterinário de aves pode dar mais informações. Dieta inadequada: corrigir por alimento balanceado, fornecer também alimento que a ave possa se distrair. Causas psicológicas: variar o ambiente, deixar a ave em local onde haja movimento de pessoas da casa, fornecer brinquedos, galhos de árvores para bicar, enfim, eliminar o tédio e dar segurança a ave. É bem possível, que o fator seja psicológico em sua ave. Alguns exames complementares: hematológico, bioquímico e outros podem ser necessários para se chegar a um diagnóstico. Porém, saiba que o diagnóstico nem sempre é possível. Se nada resolver, pode ser necessário colocar um colar Elizabetano, que impede que a ave arranque suas próprias penas. É leve e a ave logo se acostuma a ele. Não é algo definitivo, mas que pode ajudar. Em alguns casos pode ser necessário o uso de drogas tranqüilizantes, mas na minha opinião, é última alternativa.

Sugiro procurar um veterinário especializado em aves e discutir as possibilidades.

Dr. Zalmir Silvino Cubas - Diretor do Parque das Aves Foz Tropicana - Foz do Iguaçu - PR