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VETORIZAÇÃO & ENCARTE DE CANTO

 

Costumo dizer que o Ensino Vetorizado de Canto é aquele praticado pela natureza e adaptado ao Criadouro.

Imagine  que os filhotes de Curiós precisam aprender o Canto da Espécie. Se lhes falta a instrução de canto no momento necessário, não aprenderão a cantar e aí­ estariam colocando em risco toda a sua existência pois, se não aprendem o canto não conquistarão uma fêmea, e por consequência colocarão em risco toda a sua espécie, daí fazer a seguinte pergunta:

Teria a natureza confiado no acaso o fato de um filhote ter que aprender ou não o canto da sua espécie? A resposta a esta pergunta É NÃO.

A natureza dotou-o de um complexo mecanismo de aprendizado que garante o aprendizado do canto ainda no nascedouro (período de conví­vio com os pais), compete a nós ,aficionados ,desvendar tais mistérios.

 

A capacidade de produção dos sons não é a mesma entre os Passeriformes, por isto encontramos pássaros com vocalizações muito bem elaboradas como O Curió (Sporophila  angolensis).

 

O Canto do Curió não é transmitido geneticamente à prole. É necessário que se promova o aprendizado do canto da espécie aos filhotes. Este aprendizado difere entre os indivíduos de uma mesma espécie, conforme o estágio de desenvolvimento em que se encontra o mecanismo responsável por este aprendizado. A verdade é que os filhotes precisam aprender a cantar o canto da sua espécie. Isto é Lei da sua Genética.

 

Posto estas duas questões:

Capacidade de emitir determinado tipo de som. Capacidade esta transmitida geneticamente mediante existência da Seringe (Órgão responsável pela fonação) e,

Capacidade de transmitir à prole o canto da espécie e a sua conseqüente assimilação mediante a existência de um mecanismo responsável pelo aprendizado, podemos concluir que:

Os filhotes de Curió ficam no convívio dos pais durante 35 (trinta e cinco dias) quando adquirem a sua independência.

Durante os 13 (treze) primeiros dias de vida, todos os seus sistemas vitais se desenvolvem até a saída do ninho, quando toma conhecimento do mundo exterior. Durante a vida ninhega 13 (treze dias) todas as suas energias estão voltadas ao recebimento da alimentação, enquanto seus órgãos se desenvolvem.

Observamos que os filhotes de Curió por nós confinados auditivamente em Cabines Acústicas por 20 dias a partir do 15° dia de vida (dois dias após a saída do ninho), sendo submetidos neste período a Instrução de Canto mediante o uso de equipamento sonoro, após a sua transferência a terceiros, por mais que escutassem por longos períodos o canto de preferência destes novos proprietários, ao iniciarem os assovios cantaram o dialeto contido nas Instruções de Canto por nós praticadas.

Depois de repetidas experiências, comprovamos que os filhotes submetidos ao Confinamento Auditivo no período compreendido entre o 16º e o 30º dia de vida, imprimem a Instrução de Canto escutada. Passam a ser um Vetor das informações canoras, portando-as latente até o desenvolvimento dos assovios quando se manifestam amplamente. A esta técnica de ensino denominei de Vetorização de Canto.

Observamos a existência de um mecanismo de memorização das instruções mediante estímulos cerebrais que se atenuam após este período. Poderia afirmar que os canais responsáveis pela percepção e transmissão ao cérebro das informações canoras, retraem-se gradativamente até a sua total ineficácia.

O processo de desenvolvimento dos assovios mediante exercícios de Corrichado, bem como, a condução dos assovios conforme Padrão de Canto vem sendo por mim estudado e o denominei de Lapidação de Canto.

 

A palavra Encarte conforme define o Mestre Aurélio Buarque de Holanda, Encartar  quer dizer “Jogar carta sobre outra do mesmo naipe”.

 

O Encartamento de Canto em filhote de Curiós nada mais é que uma tentativa de forçá-lo a abandonar o canto de origem (Vetorizado espontaneamente em vida silvestre ou no criadouro)  por um outro que se pretende de melhor qualidade. Pode também tratar-se de uma tentativa de Lapidação do canto latente no filhote (geralmente vetorizado do galador) com a incorporação de notas faltantes ou correção de graves defeitos.

No Encarte geralmente o filhote é produzido sem preocupações didáticas quanto a formação do seu canto, ficando esta para ser posta em prática pelo seu adquirente.

Em ambos os casos (troca ou lapidação do canto) predomina o insucesso, principalmente pela idade, podendo eventualmente se conseguir algum sucesso, contudo, a incidência comprovada de bons resultados fica a desejar.

 

Gilson Barbosa  
JULHO 2007